Este é mais um dos romances que para acontecer, contou com a ajuda de ninguém mais, ninguém menos, que a soberana da Inglaterra durante ...

Romance Real: Pedro V e Estefânia.


Este é mais um dos romances que para acontecer, contou com a ajuda de ninguém mais, ninguém menos, que a soberana da Inglaterra durante o século XIX, a Rainha Victória.


O REI:


  Nascido em 16 de setembro de 1837 no Palácio das Necessidades, Dom Pedro V era o primeiro filho da Rainha Dona Maria II e de seu marido o Rei (consorte) Fernando II. Pedro teve preparação moral e intelectual, falava bem o grego, o latim e compreendia o inglês, estudou filosofia e ciências naturais. Teve ainda como seu professor Alexandre Herculano, que dizem, ter influenciado muito no seu modo de ser.
  Quando Pedro tinha somente 16 anos sua mãe faleceu no parto de seu 11º filho. Como Pedro ainda era menor de idade seu pai se tornou regente até que o rapaz completasse 18 anos, idade em que poderia governar.
  Alguns dos feitos do curto reinado de Pedro são a defesa a abolição da escravatura e criação do curso superior de letras da faculdade de Lisboa,que ele subsidiou do seu próprio bolso.
A PRINCESA:

  Nascida em 15 de julho de 1837 no Castelo de Krauchenwies, Estefânia era filha  de D. Carlos António, Príncipe de Hohenzollern-Sigmaringen, e da Princesa D. Josefina de Baden.
  Estefânia recebeu uma boa educação católica e quando tinha onze anos de idade, seu pai abdicou de seus direitos ao Príncipado de Baden e com isso a família teve de se mudar para o Palácio de Jägerhof, em Dusseldorf, onde a menina terminou seu crescimento rodeada pelos belos jardins do local.
NOIVADO E CASAMENTO:
  Em 1857 o governo de Portugal começou a perceber que deveria haver uma nova Rainha em seu país. O Rei, por sua vez, estava fugindo do casamento, mas a família real britânica inteira era muito amiga de Pedro e exercia forte influência sobre o rapaz. A soberana da Inglaterra e seu marido Albert começaram a conversar com Pedro sobre a ideia de casamento e depois de muita conversa, o Príncipe Albert conseguiu convencer o moço a casar-se dizendo: “Falta-te uma rainha que assuma a parte feminina da tarefa.” 
  Tendo Pedro aceitado a ideia de se casar, a Rainha Victória e o Príncipe Albert resolveram ajudar na escolha de uma noiva. A primeira candidata foi a Princesa Carlota da Bélgica mas Pedro recusou. Depois Victória e Albert pensaram na Princesa Estefânia da Prússia e Albert escreveu para Pedro: “Terias a vantagem de ficares com uma princesa católica, oriunda de uma casa protestante e liberal e com sangue completamente novo, não conspurcado com misturas de Bourbons ou Habsburgueses, além de ela ter gozado de uma educação simples, não estragada pelos incensos da Corte.” Pedro tentou demonstrar alegria com a notícia de que se casaria com Estefânia.
  Em 8 de julho de 1857 a Princesa foi informada de que havia um noivo para ela, em 20 de outubro houve um pedido de casamento não oficial feito pelo Conde Lavradio em nome do Rei Pedro e em 15 de dezembro um outro pedido de casamento foi feito, desta vez oficial que foi muito celebrado pela família de Estefânia.
Igreja católica de Santa Hedviges.
  Em fevereiro de 1858, Estefânia viajou para Berlim e visitou as cortes de Dresden, Karlsruhe entre outras. Voltou a Berlim em abril e o casamento por procuração foi celebrado na igreja católica de Santa Hedviges em 29 de abril de 1858. Como Pedro não estava presente, o noivo foi representado pelo irmão da noiva, o Príncipe Leopoldo.
  No início de maio a noiva partiu para Dusseldorf com a comitiva portuguesa. Eles pararam em Bruxelas e Ostende onde embarcaram no vapor Mindelo que era seguido pela corveta Bartolomeu Dias e por dois iates ingleses. Assim que a Rainha subiu no vapor, este seguiu para Dover na Inglaterra, onde D. Estefânia passou 4 dias em Londres com a Rainha Vitória. Logo depois embarcou em Plymouth na corveta Bartolomeu Dias, e escoltada por uma nau e três fragatas inglesas foi para Lisboa chegando em 17 de maio. Esperando a nova Rainha, estava seu cunhado, o Infante D. Luís e os vapores Lusitânia, D. Fernando, Camões e Almançor. 
Igreja de São Domingos.
  O Rei se apaixonou a primeira vista por Estefânia e ela por ele. No dia seguinte, a cerimônia do casamento na igreja de São Domingos, foi celebrada pelo cardeal D. Guilherme I. A lua-de-mel foi passada em Sintra.
CONCLUSÃO:
Palácio das Necessidades.

  Após o casamento, Pedro e Estefânia continuaram até o fim envolvidos numa grande paixão, mas mesmo muito apaixonado, o Rei que era muito puritano, não quis consumar a união (pelo menos é o que dizem). De toda a forma, Dona Estefânia escreveu uma carta a sua mãe contando sobre a noite de núpcias:
“A Duquesa da Terceira permaneceu junto de mim até ao momento em que fui para a cama e depois veio o Pedro, mas não consegui dormir nem um segundo durante toda a noite. Senti-me bastante embaraçada, pouco à vontade, e acho, em suma, que este costume de os esposos dormirem juntos não é muito agradável. Mas considero-o como um dever diante de Deus e, além disso, a pureza e a delicadeza extremas de Pedro tocam-me e fazem-me feliz. É uma grande felicidade para mim, pois sem isto há coisas que me seriam muito difíceis.”
 O casal viveu feliz durante 14 mêses e durante uma festa de casamento Dona Estefânia começou a sentir-se mal. Os médicos foram chamados para examinar a Rainha e descobriram uma angina diftérica, dias depois a Rainha faleceu aos 22 anos de idade dizendo: “Consolem o meu Pedro, Consolem o meu Pedro.” Seu último pedido ao marido foi o de um hospital moderno para crianças pobres. Um ano depois, um hospital foi erguido na Quinta da Bemposta e passou a se chamar Hospital Dona Estefânia.
  Sobre a morte de Estefânia a Rainha Victória disse a sua filha Vicky: “Realmente despedaça-nos o coração e faz-nos pensar a razão pela qual acontecem coisas tão horríveis! O seu destino é tão penoso e inquietante. Desejaria fazer qualquer coisa por ele, pobre rapaz, tudo é horrível. Tanto mais que, dentro de poucos anos, o país esperará que case outra vez. Onde encontrar alguém minimamente adequado para suceder áquele anjo?”
  O Rei escreveu a Rainha Victória: “A Estefânia resumia todas as minhas ambições, ela tinha tudo o que eu amava no mundo e levou tudo isso com ela!”
  Para o Principe Albert, Pedro escreveu: “O que eu sentia pela minha Estefânia era mais do que amor; assemelhava-se à adoração por aquele puro, piedoso e inocente ser que só sabia e só podia praticar o bem. A sua natureza era perfeita de mais para o nosso mundo, qualquer coisa demasiado bela e sublime para uma sociedade que, apesar de tudo, chorou por ela.”
  O Rei foi tomado por profunda depressão após a morte da esposa. Dizem que ele mandou fechar todas as portas e janelas do Palácio das Necessidades (local onde morava com Estefânia) e passou os seus dois últimos anos na escuridão do palácio e com saudades da mulher que tanto amava.
  O Rei faleceu após uma caçada com seus irmão. No meio da caçada, Pedro bebeu àgua contaminada e acabou por falecer dias depois deixando o trono para seu irmão que se tornou o Rei Dom Luis I.
  Até hoje Pedro é queridos pelos portugueses que o apelidaram de O Esperançoso ou O Bem Amado.

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