A Princesa Maria da Glória, mais tarde, Rainha Maria II de Portugal, nasceu no Rio de Janeiro, no Palácio da Quinta da Boa Vista em 4 d...

Serie Princesas Imperiais Brasileiras: Maria da Glória


  A Princesa Maria da Glória, mais tarde, Rainha Maria II de Portugal, nasceu no Rio de Janeiro, no Palácio da Quinta da Boa Vista em 4 de abril de 1819 e com o seu nascimento obteve o título de Princesa da Beira e posteriormente Princesa Imperial do Brasil. Era filha do então Príncipe Pedro, que mais tarde se tornou o Imperador Pedro I do Brasil e depois Rei Pedro IV de Portugal e de sua esposa a Princesa Leopoldina, que mais tarde se tornou Imperatriz do Brasil.

  Maria da Glória era loira, tinha a pele muito clara e olhos azuis como os da mãe. A menina que virou Rainha aos 7 anos de idade foi a única soberana da Europa a reinar em terras onde não nasceu, a 2ª mulher a governar Portugal e 30º monarca português; Ela reinou de 1834 até sua morte em 1853.


O GOLPE DE D. MIGUEL.



  Após a morte de D. João VI em 1826, o Imperador Pedro I do Brasil ascendeu o trono português com Rei D. Pedro IV mas Pedro abdicou a coroa portuguesa para a filha D. Maria da Glória em 3 de maio, tendo em 29 de abril outorgado aos portugueses uma constituição livre, a Carta Constitucional. A abdicação era condicional: "A princesa casaria com seu tio Dom Miguel, e enquanto se não realizasse o consórcio, e o novo regime não dominasse em Portugal, continuaria a regência de Dona Isabel Maria em nome de D. Pedro IV."

  Com dispensa papal, por procuração, em 29 de outubro de 1826 Maria casa com seu tio, o infante Miguel. O casamento foi dissolvido em 1 de Dezembro de 1834.

  O Infante Miguel, chegou a Lisboa em 9 de fevereiro de 1828 e desembarcou no dia 22, recebendo das mãos de sua irmã mais velha a infanta Isabel Maria a regência, ratificando em 26 de fevereiro o juramento que prestara à Carta Constitucional perante as cortes que Isabel Maria havia convocado, mas não tardou a mudar de resolução. Ele dissolveu as cortes em 13 de março, convocando em 3 de maio o conselho dos três Estados para decidir a quem pertencia a coroa, segundo a antiga forma das cortes do país.

  O conselho reuniu-se em 21 de junho e Miguel foi proclamado rei quatro dias depois em precipitada resolução, em vista do ato de reconhecimento do herdeiro da coroa prestado pela regência e real câmara dos pares, instituída pela Carta Constitucional, acerca da sucessão da Casa de Bragança nas duas coroas de Portugal e Brasil, já indicada nas conferências realizadas em Londres em agosto de 1823.

  Enquanto isso, na Europa, D. Maria II acaba por viajar entre Inglaterra e França, mas os Reis destes dois países não eram favoráveis às suas pretensões, de modo que regressou ao Brasil em 1829 com a sua madrasta D. Amélia de Beauharnais.

Maria da Glória com o pai, Pedro I do Brasil (Pedro IV de Portugal).

  Em 1831, Pedro I abdicou, a 7 de abril, da coroa imperial do Brasil em nome do seu filho Pedro II, irmão de Maria II, e veio para a Europa com a filha e a segunda mulher Amélia, sustentar os direitos da filha à coroa de Portugal. Tomou o título de Duque de Bragança, e de Regente em seu nome.

  Pedro deixou a filha em Paris para acabar a sua educação, entregue à madrasta, com bons professores, e partiu para os Açores à frente duma expedição organizada na ilha de Belle-Isle, reunindo seus partidários. Chegando aos Açores a 3 de março de 1832, formou novo ministério, juntou um pequeno exército, cujo comando entregou ao Conde de Vila Flor, meteu-o a bordo duma esquadra que entregou ao oficial inglês Sartorius, e partiu para Portugal continental, desembarcando a 8 de julho na Praia da Memória, em Matosinhos. Seguiu-se o cerco do Porto e uma série de combates, até que, a 24 de julho de 1833, o Duque da Terceira entrou vitorioso em Lisboa, depois de ter ganho, na véspera, a batalha da Cova da Piedade. Porto e Lisboa, as principais cidades, estavam no poder dos liberais. Pedro foi para Lisboa, e mandou buscarem sua filha em Paris para ser aclamada Rainha de Portugal.


FINALMENTE RAINHA.


  Em 1834, após a vitória dos liberais, D. Pedro IV morre e Maria da Glória, com apenas 15 anos de idade, é proclamada Rainha Maria II de Portugal.

  Nesta altura, D. Maria II tem a seu cargo um país que se encontra destroçado pelas invasões francesas e pela guerra civil, que acabam por levá-lo a uma grave crise financeira.

  Além disso, D. Maria II vê-se no centro das lutas entre cartistas e vintistas, sendo que logo no seu primeiro ano como rainha acaba por se debater com intrigas, agitações e questões graves como foi o caso do Contrato do Tabaco e da venda conjunta das Lezírias, além do problema do envio do corpo expedicionário contra os carlistas de Espanha.

  Ao longo do seu reinado, sucedem-se os movimentos de revolução e contra-revolução, dos quais D. Maria nem sempre se mantém alheia, sendo que, quando ocorre a Revolução de setembro, D. Maria intenta, em Belém, o golpe de Estado que ficou conhecido como “Belenzada”.

  Mais tarde, em 1837, D. Maria II teve de enfrentar o movimento levado a cabo pelos setores moderados e que ficou conhecido como “Revolta dos Marechais”.

  Um ano depois, a rainha é confrontada com a aprovação da Constituição de 1838. E a esta seguiram-se ainda mais e mais revoltas.

  Por todos estes acontecimentos, podemos constatar que D. Maria II governou o país num período particularmente complicado da História de Portugal, quando se dava a passagem do absolutismo para o constitucionalismo.


CASAMENTOS.

  Alêm do casamento com o tio Miguel em 1826, Maria se casou mais 2 vezes:

  Em dezembro de 1834 Maria se casou com o Príncipe Augusto de Beauharnais, 9 anos mais velho do que ela.

  Augusto era o filho homem mais velho do Príncipe Eugênio de Beauharnais e sua esposa a Princesa Augusta da Baviera portanto irmão da Imperatriz brasileira Amélia, madrasta de Maria II. O casamento durou apenas 2 mêses e acabou com a morte de Augusto.


  No fim de 1835 Maria se casou com o Príncipe Fernando Augusto de Saxe-Coburgo-Gotha que foi pai de seus 11 filhos. Este passou a Rei Consorte, como Fernando II, em 16 de setembro de 1837, após o nascimento de um filho varão, regente do reino durante a menoridade do filho Pedro V e, depois da morte deste, até à chegada a Portugal do filho Luís I.


  O casamento durou até a morte de Maria em 1853. Viúvo, Fernando casaria de novo em 1869 com sua companheira de longa data, a cantora Elisa Hensler, feita condessa de Edla.


MORTE.

  Desde sua primeira gravidez, aos dezoito anos de idade, Maria II enfrentou problemas para dar à luz, com trabalhos de parto prolongados e extremamente difíceis. Exemplo disso foi a sua terceira gestação, cujo trabalho de parto durou 32 horas, findas as quais, foi retirada a fórceps uma menina, batizada in articulo mortis com o nome de Maria.

  A perigosa rotina de gestações sucessivas, somada à obesidade (que terminou por causar-lhe problemas cardíacos) e à frequência de partos distócicos levaram os médicos a alertarem a rainha sobre os sérios riscos que corria. Indiferente aos avisos, Dona Maria II limitava-se a retrucar: "Se morrer, morro no meu posto".

  Em 15 de novembro de 1853, treze horas após o início do trabalho de parto do natimorto infante Dom Eugénio, seu 11.º filho, Dona Maria II morreu, aos 34 anos de idade. O anúncio da morte foi publicada no Diário do Governo de 16 de novembro de 1853.

"Paço das Necessidades, 15 de Novembro de 1853, à meia hora depois do meio dia.
Sua Magestade a Rainha começou a sentir annuncios do parto às nove horas e meia da noite de hontem. Appareceram difficuldades no progresso do mesmo parto, as quaes obrigaram os facultativos a recorrer a operações, pelas quaes se conseguiu a extracção de um Infante, de tempo, que recebeu o baptismo antes de extrahido.
O resultado destas operações teve lugar às dez horas da manhã. Desgraçadamente, passada hora e meia, Sua Magestade, exhausta de todas as forças, rendeo a alma a Deos, depois de haver recebido todos os sacramentos.
- Francisco Elias Rodrigues da Silveira. Dr. Kessler. Ignacio António da Fonseca Benevides. António Joaquim Farto. Manuel Carlos Teixeira."


Em carta datada de 28 de novembro de 1853, a Duquesa de Ficalho, camareira da rainha, relata o desenlace a seu irmão, o 2° Conde do Lavradio:

"Às duas horas depois da meia-noite do dia 14 para 15, recebi ordem para ir para o Paço, onde cheguei perto das três. Achei já a Imperatriz no quarto da Rainha, para onde entrei logo, achando Sua Majestade incomodada e mesmo pouco fora do seu costume. Assim estivemos até às cinco horas, e então saímos do quarto imediato e perguntámos ao Teixeira o que achava, dizendo-nos: "Sua Majestade vai bem mas devagar". Eu não gostei; e assim se foi passando até às oito horas e meia. Então é que o Teixeira chamou os facultativos, que estavam fora e que não tinham visto a Rainha, e, logo que a examinaram, decidiu-se a horrível operação. Os facultativos eram o Teixeira, o Farto e o Kessler, e os médicos eram o Elias e o Benevides. O Kessler deu logo o caso por muito perigoso.
Começou-se a operação. Eu subi para cima da cama. Do lado direito, a Imperatriz, toda debulhada em lágrimas; a Rainha com ânimo, sem ter um desmaio, mas com muito mau parecer e, queixando-se de que sofria bastante, disse com a sua voz natural: "Ó Teixeira? Se tenho perigo, diga-mo; não me engane".
A Imperatriz desceu da cama, e disse-me: "A Rainha deve-se confessar"; e foi logo dizê-lo a El-Rei, que respondeu: "Chamem o Patriarca". Ora a este tempo já o Farto tinha baptizado o menino. O Patriarca entrou, e a operação não estava de todo acabada, e tudo era horroroso, mas eram mais de dez horas. Acabou-se, e o Patriarca falou com a Rainha, que estava bem mal, e disse-lhe que fizesse com ele o acto de contrição para a absolver, mas, depois disto, pôde Sua Majestade confessar-se, sacramentar-se e ungir-se, e às onze horas e meia expirou.
Não faço reflexões, mas tenho o maior sentimento de que não viessem o José Lourenço e Magalhães Coutinho, que os foram buscar quando não havia remédio.
A rainha dizia: "- Não é nada como das outras vezes". E Ela já tinha passado por uma operação. Não posso explicar a consternação de El-Rei D. Fernando e de todo o Paço.’’

Triste embalsamação, que se fez no dia 16, estando eu sempre, e durou a do Infante e a da Rainha sete horas. Acabada esta aflição, foi a de se vestir, o que era quase impossível, no estado da dissolução em que estava Sua Majestade, mas do modo possível se fez, levando as Ordens e manto Real, mas foi preciso fechar o caixão, porque não é possível pintar o estado de dissolução."

O corpo de Maria II Jaz no Panteão Real da Dinastia de Bragança, no Mosteiro de São Vicente de Fora, em Lisboa. Maria ficou conhecida como "A educadora" e "A boa mãe".

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